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quarta-feira, 2 de março de 2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Carta a um melhor amigo...

Caro amigo,
mais uma vez faltamos com a nossa palavra. Sei que você já deve nos convidar com a desconfiança daqueles que já foram enganados por muitas e muitas vezes. Sei também que minhas palavras já não devem convencê-lo da veracidade de minhas desculpas. Eu mesmo não acreditaria que, por mais de quinze anos, meus “melhores amigos” (nem sei se ainda merecemos tão honroso título, meu caro amigo) nunca conseguiram me visitar nos aniversários, no meu casamento, no nascimento de meu filho (Como vai o pequeno Dodô?).
Exatamente por saber que de nada mais vale minhas palavras é que lhe envio a notícia, documento incontestável, de nosso último fracasso.
Já estávamos no ônibus, eu e Julieta, malas despachadas, indo até o avião quando uma funcionária, desconcertada, nos avisou do ocorrido. Eu ainda perguntei a ela “O avião foi sem a gente?” e ela apenas disse “É”.
Mais uma vez. Mais uma vez.
Nossas malas chegarão e nós permaneceremos.
Julieta manda beijos à Ofélia e diz ainda guardar o guia de Moscou. Ainda tem esperanças de devolvê-lo em mãos. Eu nada mais prometo, meu amigo.

Um fortíssimo abraço, 

Fourmi.

*Nosso figurinista Tulio Costa nos mostrou essa notícia que saiu hoje no UOL.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/02/04/aviao-decola-para-o-rj-e-passageiros-sao-esquecidos-em-aeroporto.htm

domingo, 31 de janeiro de 2016

Cafés Filosóficos


Nesse café filosófico, Eduardo Viveiros de Castro fala sobre a teoria do perspectivismo e de como os povos indígenas olham para a morte e para os mortos. 
A morte nunca é experimentada. Quem morre é o outro. Não há conhecimento prático dela. Quando ela acontece, já não estamos lá para experimentá-la. Dessa forma, ele apresenta a noção de "qualidade", ou seja, que a morte sempre é experimentada como quase acontecimento - narra-se sempre uma quase morte. 


Já nesse café filosófico, Marcia Tiburi fala sobre a Tanatopolítica, conceito introduzido por Michel Foucault que calcula a relação entre o poder e a morte na sociedade. Ela aborda conceitos como corpo físico e corpo vivente, mera vida e os grandes genocídios que ocorreram no séc. XX e que demonstram como a morte ainda é reguladora do poder social nos dias de hoje. Uma análise interessantíssima sobre a morte e sua ligação com a sociedade contemporânea.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Carta da Morte

POR BARBARA RIETHE

De mim para a personagem

Gostaria de me pronunciar pela primeira vez neste século. Gostaria de falar sobre todo meu amor enterrado, subjugado, duvidado tantas vezes. Bradam que eu não amo, me chamam até de tirana, vil e todas as alcunhas imagináveis. Ah, meus amores, eu sou inteira amor e zelo. Sinto como se toda humanidade tivesse saÍdo do meu ventre e acompanho, silenciosamente e de modo muito respeitoso, os passos de cada um dos meus filhos. É de mim que tudo começa e é em mim que tudo acaba ou recomeça. No meu beijo e abraço eu encerro o ciclo que o tempo ordenou. É ELE o tirano e vil! Ele que comeu os próprios filhos, que duramente risca tudo e entrega todos em meus braços, vitoriosos, esquecidos e cansados. Eu pacifico as revoltas d´alma, amenizando os castigos do Tempo e do Destino. Agora estou te seguindo, pra onde vais. Sei do que tens medo e do que te angustia - sei também do que guardas adormecido dentro do coração e que não podes deixar visto. Sei e te amo com todas as tuas faltas (as que fizestes e farás). Jamais te abandonarei... Estou, inclusive, te guiando para os lugares que deves ir. Só que tu não sabes que a moça que cruza a rua e te pede ajuda, ou aquele que te oferta um emprego e te faz mudar de cidade, ou aquele pássaro que voa um pouco mais baixo, te faz virar a cabeça, e notar o amor da sua vida...tu não sabes que sou eu. Estou te trazendo para meus braços e quando finalmente te ter, terás paz e descanso. Viver é muito cruel, às vezes. Sei da coragem necessária para amanhecer todos os dias. Tu és meu bravo guerreiro, que me dás forma e me faz existir e ter uma razão... Estou orgulhosa de ti, dos teus fortúnios e desfortúnios. Quando repousas a cabeça cansado, não orgulhoso do que és, perdido e cheio de dúvidas, sou eu que me deito ao teu lado. Estou pronta caso você venha até mim. Caso você queira pular do último andar da casa, eu te darei a liberdade. Te recompensarei te separando da vida e te entregando uma outra.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Primeiras impressões de uma figurinista


POR BÁRBARA WADA

Apresento três artistas que trazem, de certa forma, algo de fantasmagórico em suas poéticas: 

- os auto-retratos de Francesca Woodman (que se suicidou) são delicados relatos de sua solidão e angústia existencial.



- Christian Boltanski traz a questão da memória da roupa em seu comentário sobre o holocausto. 


 

- E Mark Rothko que tem em suas cores indefinidas um apontamento para algo espiritual, misterioso.

domingo, 3 de maio de 2015

Uma provocação


É preciso idolatrar a dúvida. 
É preciso idolatrar a dúvida. 
É preciso idolatrar a dúvida. 
É preciso idolatrar a dúvida. 
É preciso idolatrar a dúvida.

(...)

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cenário-Duvidoso

POR OLÍVIA DE CASTRO

Partindo da proposta de colocar a dúvida também no plano do cenário, a ideia é inverter a lógica de planos e colocar em jogo novas dimensões.

Como inspiração plástica, estão os quadros de Jacek Yerka (imagem), que quebram a lógica tradicional. A cenografia de Daniela Thomas para a peça “Não Sobre o Amor”, com direção de Felipe Hirsch, serve como inspiração mais concreta para o cenário.

A maioria dos ambientes da nossa peça são locais fechados (casa, quarto, bar). Então, a proposta é que o cenário possa tê-los como base fixa, estilhaçados nas "três paredes" do palco. E que outros ambientes possam vir representados de maneira móvel no plano do chão.

*Boudoir, de Jacek Yerka

*o ator Leonardo Medeiros na peça "Não sobre o amor", dir: Felipe Hirsch