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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Carta a um melhor amigo...

Caro amigo,
mais uma vez faltamos com a nossa palavra. Sei que você já deve nos convidar com a desconfiança daqueles que já foram enganados por muitas e muitas vezes. Sei também que minhas palavras já não devem convencê-lo da veracidade de minhas desculpas. Eu mesmo não acreditaria que, por mais de quinze anos, meus “melhores amigos” (nem sei se ainda merecemos tão honroso título, meu caro amigo) nunca conseguiram me visitar nos aniversários, no meu casamento, no nascimento de meu filho (Como vai o pequeno Dodô?).
Exatamente por saber que de nada mais vale minhas palavras é que lhe envio a notícia, documento incontestável, de nosso último fracasso.
Já estávamos no ônibus, eu e Julieta, malas despachadas, indo até o avião quando uma funcionária, desconcertada, nos avisou do ocorrido. Eu ainda perguntei a ela “O avião foi sem a gente?” e ela apenas disse “É”.
Mais uma vez. Mais uma vez.
Nossas malas chegarão e nós permaneceremos.
Julieta manda beijos à Ofélia e diz ainda guardar o guia de Moscou. Ainda tem esperanças de devolvê-lo em mãos. Eu nada mais prometo, meu amigo.

Um fortíssimo abraço, 

Fourmi.

*Nosso figurinista Tulio Costa nos mostrou essa notícia que saiu hoje no UOL.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/02/04/aviao-decola-para-o-rj-e-passageiros-sao-esquecidos-em-aeroporto.htm

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Entre a pantera e o corvo.

Nossos últimos ensaios foram sem a presença da diretora.
Na 2a feira, Luiza nos provocou para encontrarmos, cada um em seu corpo, qual o estado da sua dúvida? Pra isso ela pediu que cada um trouxesse referencias pessoais e subjetivas do que significava ou como você se relacionava com a dúvida.
Na sala de ensaio, como disparador poético, ela trouxe uma matéria da Ilustríssima, de um fotógrafo brasileiro chamado Arthur Omar.


A partir dessa matéria discutimos a efemeridade da dúvida, a possibilidade de transitarmos entre a pantera negra e o corvo em nossos corpos, na nossa cena, em todo nosso processo. Assim como nas fotografias de Omar, as imagens aparecem e se transformam em frações de segundos, a cena duvidosa pode se constituir dessas imagens em constante deslocamento.
Para existir a dúvida é preciso existir a certeza. É o deslocar-se de um para o outro que gera o pensamento.
Poderíamos materializar esse deslocar-se imaterial através das imagens formadas pelos nossos corpos?

De toda discussão, chegamos a um novo verbete do nosso Léxico da Dúvida.

Corpo fugidio: Estado do corpo em constante devir, que oscila entre dúvida e certeza, que oscila entre pantera-negra e corvo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Vaca cai dentro de casa em Guarulhos/SP

Quanta coisa maluca acontece nesse mundo, não é mesmo?
A notícia abaixo certamente poderia se transformar em um conto ou um trecho de algum livro de literatura fantástica, não acham?
Afinal, quem nos garante que essa vaca caiu de um barranco? E se ela tiver caído diretamente do céu?