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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Experimento Cena 6 (26/08/2015)

No dia 26/08, realizamos o último experimento da nossa dramaturgia, com a cena baseada no conto Os Vencedores de Amanhã, de Holloway Horn.
Com isso fechamos um ciclo de improvisações e demos início a preparação do que apresentaremos no Tendal da Lapa, dias 20 e 27 de setembro, nas nossas aberturas de processo.


ELA
Quer comprar um jornal? Garanto que não é como os outros.

ELE
Não estou entendendo... Como não é como os outros? Como assim?

ELA
É o Eco do Amanhã.




ELA
Nada. Não quer levar este jornal? Não há outro igual no mundo. Nem haverá, por vinte e quatro horas.

ELE
(Sarcástico) Claro. Se só vai aparecer amanhã...

ELA
Tem os vencedores de amanhã.


ELE
Um jornal saiu da escuridão e os dedos de Prudente o aceitaram, quase com medo. Uma gargalhada retumbou no portão, Prudente ficou sozinho.

(trechos de FANTASMAGORIA CARNE, de Paloma Franca Amorim)
- fotos tiradas por Luiza Meira Alves e Martin Muller no ensaio do dia 26/ago/2015 durante experimento cênico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Experimento Cena 5 (19/08/2015)

Na última quarta-feira, fizemos um experimento da CENA 5 - A PARTIDA, penúltima cena da peça, baseada no conto Os Cativos de Longjumeau, de León Bloy.


(Um rádio está ligado, possivelmente uma vitrola antiga com algum disco francês. A luz vai crescendo aos poucos e revela o casal, cada um sentado de um lado da sala, encarando seu passaporte, fixo, segurando-o na mão. Malas prontas no canto.)


- Sabe que uma vez eu ouvi falar de uma mulher que queria tanto, mas tanto viajar (e, ao mesmo tempo, não podia, sei lá porquê) que se dividiu em duas. Uma ficou e uma viajou!



(trechos de FANTASMAGORIA CARNE, de Paloma Franca Amorim)
- fotos tiradas por Luiza Meira Alves no ensaio do dia 19/ago/2015 durante experimento cênico.

domingo, 23 de agosto de 2015

Experimento Cena 4 (03/08/2015)

A quarta cena da nossa peça é baseada no conto Casa Tomada, do argentino Julio Cortázar, e se chama IRMÃOS GÊMEOS. Segue algumas imagens do nosso experimento e tiradas durante um ensaio realizado no Tendal da Lapa.


- Eu estou sentada em uma cadeira que fica no corredor entre a realidade e o pântano. Mamãe, papai... Vovó, vovô... Eu e você aqui... Mantendo a casa limpa, distante da mácula do tempo. Quem envelheceu fomos nós. Essa necessária clausura da genealogia assentada por nossos bisavós na nossa casa.



- Também ouvi, ao mesmo tempo ou um segundo depois, no fundo do corredor que vai dar na porta. Eu me joguei contra a parede antes que fosse tarde demais, fechei-a de um golpe, apoiando meu corpo; felizmente a chave estava colocada do nosso lado e também passei o grande fecho para mais segurança.

(trechos de FANTASMAGORIA CARNE, de Paloma Franca Amorim)
- fotos tiradas por Luiza Meira Alves nos ensaios do dia 03/ago/2015 durante experimento cênico e ensaio.

Experimentos Cena 2 e 3 (26/07/2015)

No dia 26/07, um domingo comum, fizemos um ensaio-maratona, das 11h às 22h, em que estudamos e experimentamos duas cenas de Fantasmagoria Carne.

A primeira foi a CENA 2 - INSURREIÇÃO, escrita a partir do conto A Verdade sobre o caso de M. Valdemar, do norte-americano Edgar Allan Poe.


Figurinos dos personagens esperando para serem vestidos: Fantasmas de pó esperando pra se tornarem Fantasmas de carne. 


- Caros Doutores, podem vir agora. Os médicos consideram que não passará de amanhã à meia-noite; o calculo me parece correto. PJD.



- Depois de algum tempo em que se está nas peregrinações para o encerramento da vida, você se habitua a lidar com a morte como um bicho perigoso que, apesar de toda braveza, acompanha os seus passos silenciosamente e de modo muito respeitoso, sem tentativa de ataque. A morte não é traiçoeira como os homens. É como uma ave carnívora, um abutre, um urubu talvez, que espreita sua vítima e só a engole depois que o próprio tempo tenha feito sua parte. A morte não mata ninguém.

Depois, partimos para a CENA 3 - SOZINHA COM SUA ALMA, escrita a partir do conto homônimo de Thomas Bailey Aldrich. Uma mulher, depois de dormir quarenta anos, desperta e comemora com o marido 1 mês de vida.


- Uma mulher está sentada sozinha em sua casa. Sabe que não há mais ninguém no mundo: todos os outros seres estão mortos.



- Na volta do açougue, passava pelo parque para olhar as pombas. Nunca entendeu o ódio de alguns com as pombas. Levava farelo de pão no bolso para alimentá-las. Agora, nem elas existem mais, todas se extinguiram, assim como os gatos, ratos, cachorros, girafas, zebras, panteras e corvos, todos os animais estão mortos - a última barata ela matou anteontem. Até os vegetais estão parando de crescer.


(trechos de FANTASMAGORIA CARNE, de Paloma Franca Amorim)
- fotos tiradas por Luiza Meira Alves no ensaio do dia 26/jul/2015 durante experimento cênico.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Experimento Cena 1 (13/07/15)

Ontem começamos uma série de experimentos cênicos com a nossa dramaturgia: Fantasmagoria Carne.
Começamos pela CENA 1 – O ACIDENTE, baseada no conto Ser pó, de Santiago Dabove.


- Daí para frente o corpo não mais respondeu. Socorro nunca veio. Se veio, eu não notei. Vertida sobre o ninho natural, começo a perceber meu corpo se fundir aos valores orgânicos da terra.



- Que tristeza! Ser quase como a terra e ter ainda esperanças de andar, de amar. Está se difundindo, logo vai virar defunta. Que planta estranha é sua cabeça! Vai ser difícil que depois de morta ela mantenha a singularidade natural em segredo. Os homens descobrem tudo, até uma moeda de dois centavos enlameada.




(trechos de FANTASMAGORIA CARNE, de Paloma Franca Amorim)
- fotos tiradas por Luiza Meira Alves no ensaio do dia 13/jul/2015 durante experimento cênico.